Perguntas mais comuns sobre cursos de sobrevivência

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Perguntas mais Frequentes sobre curso de sobrevivência

“Quem não pergunta não quer saber; quem não quer saber quer errar”

Perguntas e chiliques mais comuns

Por que estudar Sobrevivência? Qual é o propósito maior do treinamento de sobrevivência? Quais são os benefícios pessoais diretos para quem faz um curso de sobrevivência? Porque preciso treinar se muitas pessoas já retornaram de situações de risco sem esse tipo de treinamento? Mas eu não tenho o hábito de viajar para longe do ambiente urbano e nem mesmo de viver ao ar livre. Ambientes naturais hostis, então, nem pensar. Não curto esse tipo de programa. Nunca vou precisar disso, pois não me exponho a esse tipo de situação. É muito arriscado ir para o mato. Tenho medo de ir e perecer! Mas e se mesmo contra todas as probabilidades, o pior acontecer? Um treinamento de sobrevivência deve ser muito puxado. Será que vou dar conta? O que é mais importante numa situação de sobrevivência? A força, a sabedoria ou o conhecimento? No local dos treinamentos há transmissão de sinal para celular? Porque tanta teoria se sobrevivência é algo tão prático? O curso SANH é de nível básico, intermediário ou avançado? Onde e como são realizados o curso e o treinamento de sobrevivência? Porque alguém pagaria para passar fome no meio do mato? Quais são os requisitos para participar do treinamento? Como conciliar as práticas necessárias à sobrevivência com as normas de preservação ambiental? Há necessidade de tomar alguma vacina antes? Sou vegetariano. Vou ter mesmo que comer carne? E à noite, enquanto todos estiverem dormindo, o que pode acontecer? Quais são as normas de segurança adotadas no treinamento? Qual a diferença desse curso para os treinamentos militares de sobrevivência? As forças armadas não implicam com a proliferação de cursos de sobrevivência? Quais são as origens dessa cultura (ou da falta dela)? Se a Cultura da Sobrevivência é tão importante para a humanidade, porque não é mais divulgada?

Respostas mais incomuns – ® “O óbvio pode ser iluminador quando percebido de modo incomum.” — “Ismael” (personagem de Daniel Quinn)

P.: Por que estudar sobrevivência?

R.: Sobrevivência é uma ciência que se chama Epibiologia. Sobrevivência é nossa primeira necessidade. Sobrevivência é nossa rotina de vida. Sobrevivência é a extensão do tempo de vida. Para morrer, não precisamos fazer nada. Para viver, precisamos fazer muito. Nossa vida pessoal é única, frágil, perecível e irrecuperável se perdida. Você aplicará o conhecimento imediatamente em sua vida, evitando e solucionando problemas, independentemente de onde e com o quê trabalhe. Sobrevivência é mais importante do que ter uma profissão. Se você não sobreviver, não terá profissão nenhuma. Treinamento em Sobrevivência pode prevenir o alto custo social das  mortes prematuras. Porque o mundo não é um lugar seguro. A insegurança mundial aumenta com o progresso do crime e conspirações internacionais organizadas, com a exaustão dos recursos naturais e devido à lei natural da  entropia. O conhecimento de sobrevivência aumenta nossa segurança psicológica evitando atitudes desesperadas e catastróficas.  É melhor saber e não precisar do que precisar e não saber, pois a natureza não se adaptará a você, você é quem terá que se adaptar a ela. Cada ambiente tem características distintas do outro, nos exigindo adaptação imediata. O despreparo e o desconhecimento de si mesmo e do ambiente limitam e frustram nossas experiências com lazer, esporte e turismo. Situações de emergência são surpreendentes e podem provocar grandes perdas, exigem conhecimento prévio e geralmente não nos dão segunda chance, portanto, esteja preparado. “Muita gente ‘pensando’ em deixar um planeta melhor para nossos filhos… Quando é que ‘pensarão’ em deixar filhos melhores para o nosso planeta?” Sobrevivência não é uma opção de vida, mas uma condição de vida, uma necessidade universal. Continuar vivendo apesar das circunstâncias desfavoráveis e difíceis. Se é algo contínuo, então a cultura da sobrevivência se aplica ao dia-a-dia, e não apenas a situações de risco de morte,  estado de necessidade, calamidades, guerras ou situações limítrofes de sobrevivência.

P.: Qual é o propósito maior do treinamento de sobrevivência?

R.:    Despertar, nos mais acomodados e alienados, o interesse pela cultura da preparação e prevenção pessoal contra situações adversas que podem colocar em risco nossa sobrevivência. O desenvolvimento de nossas capacidades, perícia, técnica, autocontrole, resistência. Ao aumentarmos o nosso conhecimento a respeito de um determinado assunto, o medo do desconhecido vai diminuindo. Assim podemos evitar o pânico, pior inimigo do sobrevivente. O conhecimento é o antídoto contra o medo. Também ensinamos improvisos, muito necessários em situações de ausência de recursos. A quebra de mitos, tabus e paradigmas errados é outro objetivo dos cursos de sobrevivência. O fato de você saber o que fazer não garante que você se dará bem, mas o fato de você não saber o que fazer já é uma grande chance de você se dar mal. Muitas vezes, saber o que não fazer pode ser tão ou mais importante do que saber o que fazer.

P.: Quais são os benefícios pessoais diretos para quem faz um curso de sobrevivência?

R.: Benefícios do curso e treinamento em sobrevivência:

(▲) = aumenta/melhora…

  1. ▲ a consciência de si mesmo e do ambiente;
  2. ▲ o discernimento entre utilidade e inutilidade;
  3. ▲ o domínio de si mesmo, físico, racional e emocional;
  4. ▲ a autoconfiança e a noção de limites;
  5. ▲ a capacidade de realização de tarefas;
  6. ▲ a capacidade de administração do tempo;
  7. ▲ o racionamento de energia;
  8. ▲ a segurança, os níveis de atenção e estado de alerta;
  9. ▲ a velocidade na tomada de decisões;
  10. ▲ o quociente de adversidade e a independência;
  11. ▲ o respeito pelo meio ambiente;
  12. ▲ a comunicação com a equipe / liderança.

P.: Porque preciso treinar se muitas pessoas já retornaram de situações de risco sem esse tipo de treinamento?

R.:  E porque não treinar? Não treinar é melhor? _ É tão fácil e provável errar quando se faz algo pela primeira vez que geralmente é o que acontece, e há situações que não darão a você uma segunda chance. Então é muito melhor errar em um treinamento assistido por instrutores competentes do que errar em uma situação real de sobrevivência. Ignorância só nos traz felicidade por algum tempo. A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos. Aprende com os erros dos outros – nunca viverás o suficiente para cometer todos eles tu mesmo. O bom juízo vem das experiências. Infelizmente, a experiência normalmente é resultado de más decisões. Não é porque as coisas são difíceis que não nos arriscamos; é porque não nos arriscamos que elas se tornam difíceis. Até hoje todos os que passaram por treinamentos de sobrevivência voltaram muito mais seguros de suas capacidades. Isso pode fazer muita diferença em uma situação real.

P.: Mas eu não tenho o hábito de viajar para longe do ambiente urbano e nem mesmo de viver ao ar livre. Ambientes naturais hostis, então, nem pensar. Não curto esse tipo de programa.

R.:  Os assuntos tratados no curso não se aplicam somente a ambientes naturais hostis, mas também a situações adversas, e tais situações são mais comuns do que se pensa. Perigos não reconhecem fronteiras, e acidentes simplesmente acontecem. Espere pelo melhor, mas esteja preparado para o pior. Esse curso é voltado tanto para aqueles que planejam fazer uma viagem ou aventura na natureza quanto aqueles cuja permanência em um ambiente hostil se dá por uma causa acidental, em que a falta de equipamentos e suprimentos impõe a improvisação de meios de fortuna, ou seja, aqueles meios de sobrevivência improvisados com recursos do próprio ambiente.

P.: Nunca vou precisar disso, pois não me exponho a esse tipo de situação.

R.: A imortalidade não é, definitivamente, um atributo dos seres vivos e poucas coisas são, neste mundo tão dinâmico, definitivas. A Sobrevivência não é uma opção de vida, mas uma condição,  uma necessidade universal, ou melhor, é a primeira necessidade! Muitas pessoas que enfrentaram algum dia uma situação de sobrevivência, antes também pensavam que nunca passariam por isso. É melhor saber e não precisar do que precisar e não saber, pois a natureza não se adaptará a você; você é quem terá que se adaptar a ela. Vivendo nas grandes cidades não estamos tão seguros quanto imaginamos. Basta cortar os serviços públicos essenciais (água, energia elétrica, telefone, distribuição de gás de cozinha, coleta de lixo, atendimento hospitalar e segurança pública) e o caos se instala imediatamente diante da vulnerabilidade de nossas vidas. E um carro talvez não ajude muito, pois as bombas dos postos de combustível só funcionam com energia elétrica. Muitos carros ficariam no meio da rua atrapalhando o trânsito. Os bancos também não funcionariam. Isso sem falar que mais da metade da população mundial hoje vive em áreas de grande risco, ou seja, cerca de 4 bilhões de pessoas, inclusive em grandes metrópoles e em países do primeiro mundo. As maioria das maiores cidades do mundo, se não ficam às margens de grandes rios, ficam à beira do mar. 53% dos americanos moram em cidades litorâneas, e essas cidades poderão ser inundadas por tsunamis ou quando o nível dos oceanos subir por causa do degelo. Nos outros países litorâneos, a situação não é muito diferente. Muitas cidades são atormentadas por outros fenômenos geológicos e climáticos violentos como terremotos, erupções vulcânicas, inundações, tornados e furacões. “O número de pessoas afetadas por desastres naturais deve aumentar em mais de 50% até 2015 e atingir a média de 375 milhões de pessoas por ano, segundo a organização não-governamental britânica Oxfam.” Os dados fazem parte do relatório Direito a sobreviver, divulgado em 22-04-2009. A Oxfam, “que combate a pobreza”, usou dados do centro de pesquisa belga CRED, que há trinta anos coleta estatísticas sobre o impacto de catástrofes naturais no mundo, como secas e enchentes.   Catástrofes naturais como as  mortais ondas de calor na região do Mediterrâneo, como as que  mataram cerca de 18 mil pessoas na França em 2003,  e milhares de idosos na Rússia em 2010, podem se tornar corriqueiras neste século se as tendências atuais de emissão dos gases do efeito estufa não sofrerem alterações; o Tsunami de 2004, a grande inundação em Mumbay em 26-07-2005 e o Katrina em New Orleans um mês depois ilustram bem essa afirmação; e a maioria dos acidentes não é divulgada. A imprensa do mundo inteiro não daria conta de tanta notícia ruim por maior que fosse o seu esforço; e também ela não quer dar só notícia ruim durante os curtos períodos de noticiários. É esse o cenário em que vivemos, e nem o mais forte otimismo seria capaz de revogar a lei da entropia. E se você não for a próxima vítima, ótimo, porque assim poderá ajudar a próxima! Mas esteja preparado para isso! A outra parte da população (que vive em áreas de menor risco) é naturalmente tão confiante na estabilidade de suas vidas e do meio ambiente que sua ilusão de segurança as impede de tomarem qualquer iniciativa no sentido de se prepararem para o pior. O efeito pânico ou paralisante causado pelo fator surpresa impulsionam reações erradas ou imprecisas que só agravam a situação. Isso obviamente aumenta bastante a vulnerabilidade da situação dessas pessoas no dia mau. Muitas dessas pessoas passam por regiões de grande risco quando viajam sem dar muita importância ao perigo. As dinâmicas do meio ambiente, da globalização e do desenvolvimento se encarregam de esparramar as causas e efeitos de acidentes a qualquer canto do mundo.

P.: É muito arriscado ir para o mato. Tenho medo de ir e perecer!

R.:  O risco é inerente à própria vida, e não existe nada 100% seguro. Viver é arriscado. Quem quase morre, vivo é; quem quase vive, morto é! Situações de perigo não esperam pela nossa chegada, elas parecem saber onde estamos. Existe também o lado subjetivo no risco. Um local perigoso e isolado não passa de um potencial de risco para nós, enquanto pessoas alienadas e ignorantes em qualquer lugar carregam o risco consigo mesmas. Alguém poderia entrar fumando num depósito de gás e explodir o quarteirão inteiro, enquanto muitas pessoas bebem e saem dirigindo automóveis provocando acidentes! Pessoas morrem a todo momento até mesmo dentro de casa, no trânsito, afogados em piscinas, etc. Se depender dos pacientes, os hospitais e pronto-socorros nunca estão vazios. E se alguém o convidasse para ir a um sítio, fazenda ou camping, provavelmente você iria sem muitos questionamentos, mesmo sem saber exatamente como é o local. E iria mesmo sem um guia experiente. E até mesmo locais ao ar livre dentro ou próximos a grandes cidades não estão isentos de riscos em potencial.

P.: Mas e se, mesmo contra todas as probabilidades, o pior acontecer?

R.: O histórico dos treinamentos de sobrevivência anteriores demonstra um baixíssimo número de acidentes e incidentes devido à segurança das práticas adotadas e à perícia dos instrutores. Os treinamentos realizados na cidade de Contagem, (que fica a menos de uma hora de carro do grande Hospital de Poli-traumatismo HPS João XXIII e do Hospital Policlínico Odilon Behrens em BH) são acompanhados por socorristas experientes, equipados com um kit profissional de primeiros socorros, prontos para intervir em algum eventual acidente e até mesmo remover a vítima para o hospital, se necessário. Os instrutores e o coordenador também são socorristas. Também é feito um seguro contra morte acidental, invalidez permanente total ou parcial por acidente e despesas médico-hospitalares com acidentes para cada participante pelos dias do treinamento.

P.: Um treinamento de sobrevivência deve ser muito puxado. Será que vou dar conta?

R.: Se é um treinamento, então não é um teste e nem uma missão militar. O treinamento é bastante tranquilo e é voltado para pessoas leigas, não para especialistas. Você não estará lá para ser posto à prova e nem para competir, mas para aprender. Todas as atividades são orientadas e acompanhadas por instrutores experientes que dão instrução o tempo todo. Uma oportunidade única para muitos. Os instrutores do treinamento em selva são militares com anos de experiência nas forças armadas e corpo de bombeiros.

P.:  O que é mais importante numa situação de sobrevivência? A força, a sabedoria ou o conhecimento?

R.:  “Mais poder tem o sábio do que o forte, e o homem de conhecimento mais do que o robusto. Com medidas de prudência farás a guerra, na multidão de conselheiros está A VITÓRIA” (Provérbios 24:5-6)

P.: No local dos treinamentos há transmissão de sinal para celular?

R.: Sim, há várias antenas na região e os telefones celulares recebem sinal normalmente. Também há telefones públicos próximos aos locais de treinamento.

P.: Porque tanta teoria se sobrevivência é algo tão prático?

R.:   Como disse Albert Einstein, “a curiosidade é mais importante do que o conhecimento”, mas dependendo da situação, pode ser mais perigosa. Quanto mais conhecimento, mais vida. Como disse Leonardo da Vinci, “quem pensa pouco erra muito”. As pessoas só vêem aquilo que estão preparadas para ver. A maioria dos bons cursos existentes em todas as áreas do conhecimento tem bastante doutrina. A maior parte da ciência de sobrevivência está na parte teórica do curso e muitas atividades são inviáveis de serem praticadas em um curso compacto. O deslocamento para regiões remotas nos tomaria muito tempo e envolveria muitos custos e riscos extras, e não precisamos correr riscos para saber enfrentá-los. O conhecimento dirige a prática; no entanto, a prática aumenta o conhecimento. O treinamento prático aumenta a fixação do aprendizado.

P.: O curso SANH é de nível básico, intermediário ou avançado?

R.:   Nível intermediário. Um curso avançado teria uma duração bem maior, envolveria atividades muito mais arriscadas e teria um custo muito maior. Existe o projeto do curso avançado aguardando investimento ou patrocínio.

P.: Onde e como são realizados o curso e o treinamento de sobrevivência?

R.: Os cursos e treinamentos de sobrevivência podem ser realizados em qualquer região do Brasil. A infraestrutura necessária para as aulas teóricas é uma sala de aula com a capacidade e número de lugares compatíveis com o tamanho da turma e adequada para projeção em parede ou telão. Quanto ao local escolhido para o treinamento prático, o ideal é que tenha uma mata fechada, fonte abundante de água como lagoa ou rio, área seca e área pantanosa, relevo com áreas planas e áreas acidentadas. Quanto maior a diversidade de ambientes, maiores as opções de experiências e atividades práticas. Em Belo Horizonte, Contagem, Mateus Leme e Macacos – MG, já temos locais definidos para realização do curso e do treinamento prático. Em qualquer lugar, a realização dos cursos está condicionada à existência ou montagem de turmas. O ideal é que a turma tenha entre 20 e 50 alunos. Consulte-nos sobre outros locais e quantidades.

P.: Porque alguém pagaria para passar fome no meio do mato?

R.: No treinamento prático, ninguém fica um único dia sem comer e sem beber. Só se quiser mesmo. Por outro lado, se tivesse um banquete não seria treinamento de sobrevivência. Se alguém preferir, pode ir sozinho e de graça para o mato por conta própria e fazer um pic-nic. Depois nos conte o que aprendeu.

P.: Quais são os requisitos para participar do treinamento?

R.: Idade mínima de 18 anos, nível de instrução: primeiro grau completo, apresentação dos documentos, pagamento, observação das normas, e bastante disposição para aprender.

P.: Como conciliar as práticas necessárias à sobrevivência com as normas de preservação ambiental?

R.:  As práticas necessárias à sobrevivência ao ar livre não são direcionadas contra o meio ambiente, mas a favor do sobrevivente. Atentos às políticas públicas de conduta consciente, evitamos deixar rastros. Educação ambiental também é uma questão de sobrevivência. “Todo mundo ‘pensando’ em deixar um planeta melhor para nossos filhos… Quando é que ‘pensarão’ em deixar filhos melhores para o nosso planeta?” Não treinamos em parques, áreas proibidas, áreas de preservação, etc. Não levamos florezinhas e pedrinhas para casa, nem matamos os animais silvestres. Treinamos poucos dias por ano em propriedades particulares onde o impacto ambiental é mínimo. Enquanto isso, abusos desmedidos e disparados são cometidos pelo mundo afora: grandes madeireiras e mineradoras estão à solta por aí, devastando, diariamente, muitos quilômetros quadrados; Navios baleeiros superlotados, pescando até quase afundar, petroleiros vazando óleo, navios cruzeiros despejando, nos oceanos, 13 toneladas de lixo por minuto; No mar, mais de 11.000 tubarões são mortos por hora, mais de 100.000.000 por ano; Indústrias poluindo para baixo e para cima, ou seja, os rios e a atmosfera, e milhares de rios ainda recebem esgoto doméstico perenemente; O  tráfico de animais silvestres e a biopirataria continuam dizimando sem piedade nossa flora e fauna; Países em guerra em nome da paz, jogando 100.000 bombas por dia só porque não conseguem jogar mais, como se estivessem cheios de razão. E tudo isso acaba em pizza, já sabemos.

P.: Há necessidade de tomar alguma vacina antes?

R.: A vacina mais recomendada como prevenção para qualquer atividade ao ar livre é a antitetânica, pois o tétano pode ser contraído em qualquer ambiente. A vacina contra a febre amarela também é requerida para algumas regiões do Brasil. Recentemente ocorreram novos casos da doença em Goiás e Minas Gerais. É importante observar que vacinas requerem um prazo de antecedência para fazer efeito. Na parte teórica do curso também ensinamos como fortalecer bastante o sistema imunológico.

P.: Sou vegetariano. Vou ter mesmo que comer carne?

R.: Não. Alimentos de origem vegetal serão providenciados para todos no momento apropriado.

P.: E à noite, enquanto todos estiverem dormindo, o que pode acontecer?

R.: À noite, pelo menos duas sentinelas ficam sempre acordadas, revezando-se com os colegas. As sentinelas têm a função de manter a fogueira acesa repondo a lenha e controlando-a para não se alastrar, além de vigiar o acampamento, observando se há aproximação de animais ou pessoas estranhas.

P.: Quais são as normas de segurança adotadas no treinamento?

R.: Usar roupas apropriadas, calça comprida e blusa de manga comprida, boné, calçado resistente com travas no solado; Usar um bom repelente todo o tempo e protetor solar durante o dia; Ninguém deve sair sozinho sem autorização do instrutor e nem ficar ou andar sozinho pelo mato; Não enfiar a mão em buracos no chão ou tocas e nem em ocos de árvores; É proibido o uso de drogas e bebida alcoólica durante o treinamento; Fumantes devem se apresentar ao instrutor antes do treinamento informando quantos cigarros estão portando a fim de prestar conta das guimbas no final do treinamento, pois nenhuma poderá ser deixada no local. É proibido fumar dentro da barraca, nos alojamentos e refeitórios e dentro da sala de aula. Converse com o instrutor a respeito dos locais e horários permitidos. De preferência, use o bom senso e não fume; Não entrar na água com correnteza e não entrar em água parada com profundidade acima da cintura sem o colete salva-vidas; Não tomar água de fontes desconhecidas ou duvidosas; Não comer frutos e outros vegetais sem antes seguir as regras alimentares sob orientação do instrutor; Não fazer fogueiras grandes ou espalhadas na mata e limpar o chão ao redor antes. Ao apagar a fogueira, fazer o rescaldo; Participar do revezamento de sentinelas à noite; Atividades de montanhismo com cordas somente com EPI;

P.: Qual a diferença desse curso para os treinamentos militares de sobrevivência?

R.:  Há muitas diferenças. Os treinamentos militares de sobrevivência dados para militares das forças armadas seguem normas militares, hierarquia, usam equipamentos militares e são voltados para um grupo homogêneo (todos homens, jovens, fardados), orientados para o cumprimento de missões de guerra e formação do combatente. Os treinamentos militares de sobrevivência dados para civis são meramente experiências práticas na selva e os alunos não recebem aula teórica. Além de tudo, os militares adotam a estratégia de resguardar a superioridade do conhecimento deles sobre os civis em assuntos militares. No nosso treinamento você aprende também na teoria. Fisiologia da sobrevivência, os limites do corpo, vestuário / tecidos, roupas e calçados especiais, etc. O curso SANH para civis é bem diferente.

P.: As forças armadas não implicam com a proliferação de cursos de sobrevivência?

R.: Lógico que não. Isso não faz sentido. Nosso trabalho não tem nada a ver com as forças armadas. A luta pela sobrevivência é um direito natural de todo ser vivo, que o defende por instinto e é também um direito positivo dos seres humanos, ratificado pelo art. 3º da Declaração Universal dos Direitos Humanos(4) e no Brasil, pela Constituição(2). O Código Penal Brasileiro também protege a vida humana antes de qualquer outro bem. Qualquer assunto pode ser objeto de estudo(3). Sobrevivência não é assunto exclusivamente militar, é assunto de interesse geral da população. O que acontece é que os militares, responsáveis por nossa segurança, têm mais consciência do valor da cultura da sobrevivência, enquanto os civis em geral se alienaram dessas questões. O que a Constituição brasileira proíbe é a associação de caráter paramilitar(5). O decreto nº 6.703, de 18 de dezembro de 2008, lança nova Estratégia Nacional de Defesa, prevê a instituição do Serviço Civil em amplas proporções complementarmente ao serviço militar obrigatório, propõe modificação da Lei do Sistema Nacional de Mobilização, prevê o restabelecimento da tradição dos Tiros de Guerra nas prefeituras, e dá outras providências. “Um interesse estratégico do Estado é a formação de especialistas civis em assuntos de defesa. O Brasil entenderá, em todo o momento, que sua defesa depende do potencial de mobilizar recursos humanos e materiais em grande escala, muito além do efetivo das suas Forças Armadas em tempo de paz.” Constituição da República Federativa do Brasil Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (1)  III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; (3)  IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; (3)   XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; (3)   XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; (5)  XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; Declaração  universal  dos  direitos  humanos (4)  Art. 3º) Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

P.: Quais são as origens dessa cultura (ou da falta dela)?

R.: Desde que o caçador Ninrode, o primeiro homem a ser poderoso na terra, propôs a criação da Babel e das cidades fortificadas, a atenção da humanidade foi desviada para o progresso da civilização e da cultura do conforto que nos dispensa da necessidade de domínio direto das técnicas primitivas de sobrevivência (Gen. 10:8). O mundo civilizado nos estende um tapete vermelho que nos leva ao consumo de soluções prontas de especialistas, ao mesmo tempo que encobre os desafios da sobrevivência em ambiente selvagem. Somos a espécie mais criada em “cativeiro” que já existiu. Por isso vemos tanta dificuldade em retornar à vida ao ar livre. Isso não se deve à falta de defesas naturais em nosso corpo, já que a humanidade tem suas origens em um ambiente completamente selvagem e isso não a impediu de prosperar enquanto se multiplicava. O desenvolvimento da ciência, da engenharia, dos meios de transporte, das telecomunicações e do comércio tornaram a vida nas grandes cidades tão mais fácil, que a maioria das pessoas se acomodou ao novo estilo de vida aplicando a lei do menor esforço. Todo esforço extra é proporcional à motivação, à necessidade, à recompensa e ao risco. É muito mais fácil receber água tratada e encanada, energia pela rede elétrica, recorrer a especialistas quando necessário, pagar por produtos prontos no supermercado, etc. A humanidade se apegou às facilidades da vida moderna de tal forma que não dispensa mais o conforto. Aqui cabe uma pergunta. Até quando essa bolha artificial de sobrevivência civilizada vai aguentar? Até quando vamos ficar dentro dela? O meio ambiente já vem dando sinais progressivos de um grande colapso há muito tempo. Enquanto isso as nações guerreiras estocam suas armas e ensaiam o Armageddon. Estamos preparados para viver sem todo esse conforto ao qual fomos acostumados? Se não eventualmente, muito menos definitivamente. Estamos preparados para a terceira guerra mundial e o cumprimento do apocalipse? Não precisamos esperar acontecer. Muitos já recorrem à salvação divina pela fé – com certeza, a única solução definitiva, mas até mesmo a missão de pregar o evangelho cumprindo o IDE é um árduo e estreito caminho. Muitos  missionários se sentiriam muito mais à vontade em trabalho de campo se tivessem conhecimentos de Sobrevivência. Diante desse cenário não é demais investirmos em prevenção. Afinal, já que o resgate não será para todos, o que é melhor? Ter habilidades ou não ter? Estar em forma ou não estar? Saber o que fazer em uma emergência ou não saber? … No mundo ocidental atualmente, os britânicos e os americanos são o povo que tem mais tradição e cultura em expedições e técnicas de sobrevivência em ambientes naturais. As forças armadas americanas e de outros povos que participaram de muitas guerras também acumularam bastante experiência nesse assunto. No oriente, os Japoneses têm o corpo de bombeiros mais bem treinado do mundo. Sabemos que o Reino Unido foi o país que provavelmente mais se beneficiou de suas explorações no período colonial e até hoje colhe os frutos de sua vanguarda. O pioneirismo de seus desbravadores os levou e até hoje tem levado a toda a parte do mundo por todo o tipo de terreno. Também é evidente a superioridade econômica de suas ex-colônias se comparada à de ex-colônias de outras nações colonizadoras, e essa liderança se deve em grande parte à cultura herdada dos ingleses. O Reino Unido é um país onde as pessoas estão constantemente buscando superar os limites impostos pelo meio ambiente, e eles são tão bons nisso que grande parte dos recordes do Guinness book é britânica (RU). Seu notório envolvimento racional e tecnológico com o meio ambiente lhes rendeu muitas empresas e organizações de repercussão mundial. As empresas responsáveis pelos programas de TV dos canais Discovery, a National Geographic e a BBC, líderes mundiais em disseminação de cultura ambiental, são britânicas. A empresa Land Rover, tradicional montadora de veículos fora de estrada foi criada pelos britânicos. As empresas britânicas dos ramos de navegação e aviação estão dentre as maiores e melhores do mundo. O movimento escoteiro foi criado pelo inglês Baden Powel, nascido em Londres em 1857. A série de filmes do 007, exageros à parte, também revela a preocupação britânica em se dar bem em qualquer ambiente. Os ingleses deixaram sua marca por todo o mundo ocidental e oriental porque eles foram até onde os outros não foram, ou porque foram mais bem preparados, em melhores condições. Eles têm sido um povo ousado. Onde houver homens transpondo barreiras geográficas e ambientais, sempre tem um britânico no meio. No pico do Everest, nas ilhas mais remotas, no espaço, no fundo do mar, nos mais áridos desertos. Eles sempre estão lá. Por isso entendemos o quão importante é a cultura da sobrevivência. Dentre os principais serviços especiais militares mais bem treinados em sobrevivência no mundo, se destacam os SAS (Special Air Service) britânico, o U.S. Navy’s SERE (Survival, Evasion, Resistence, Escape), SEALS (Sea, Air, Land Service), Comando Delta – US Army, Rangers, Boinas Verdes e Marines americanos, o Ghurka nepalês, o CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva) brasileiro, Forças Especiais Brasileiras, etc.

P.: Se a Cultura da Sobrevivência é tão importante para a humanidade, porque não é mais divulgada?

R.:  A questão da divulgação da cultura da sobrevivência tem a ver com o modus vivendi de cada sociedade, com disputas de poder, com a história de cada povo, com a geografia de onde vivemos, com as leis de mercado, e com o ordenamento jurídico vigente. Talvez a questão mais intrigante e determinante para uma boa divulgação da cultura da sobrevivência seja a das leis de mercado. Os pratos da balança são bem conhecidos: oferta e demanda. Cientistas do Marketing já comprovaram muitas vezes que quando uma necessidade não existe, ela pode ser gerada. Quando a demanda por um determinado produto não existe, ela pode ser induzida pela oferta. Quando não há argumentos suficientes para o apelo racional, o socorro vem do apelo emocional. Os comerciais de TV ilustram muito bem essas afirmações. E quando não há verba suficiente para remunerar os veículos de comunicação, o marketing boca a boca é a solução ao alcance. Como a palavra “Sobrevivência”, para a maioria das pessoas ainda assusta mais do que atrai, há um longo caminho a ser percorrido, até que algum visionário e afortunado patrocinador se interesse pela causa e resolva colaborar, dando um novo impulso e valorização à classe, investindo capital e promovendo a divulgação de massa da cultura da sobrevivência. Então a humanidade será servida com um banquete da mais proveitosa das ciências, aquela sem a qual as outras não existiriam para nós, ou nós não existiríamos para ela: a Cultura da Sobrevivência.

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